coisas aleatórias

Jornalismo impresso em tempos de mídias digitais (ou a morte do papel)

agosto 09, 2018



Quando defini o tema da minha monografia, intitulada REVISTAS IMPRESSAS NA ERA DIGITAL: reestruturação da produção jornalística e o novo modelo de negócios da Editora Abril, eu jamais poderia imaginar que, menos de dois anos depois de apresentá-la para a banca avaliadora, a empresa na qual iniciei minha trajetória no jornalismo encerraria a publicação da maioria dos títulos que marcaram presença em meu TCC. 

Em 2016, ainda tentando me desvencilhar de uma timidez paralisante e com as faces vermelhas e quentes, entrevistei sete chefes de redação - entre diretores e redatores-chefe que exerciam o papel de direção. No auge dos meus 21 anos, eles me pareciam deuses do Olimpo; seres inalcançáveis que atingiram o topo de um patamar que eu só poderia sonhar alcançar em meus mais loucos devaneios. Mas fui cheia de uma coragem vinda do além (e descobri que eles não mordiam, no final das contas). Ao final de cada entrevista, a última pergunta era sempre a mesma: você acha que o impresso vai deixar de existir

Não. Sim. Talvez. As respostas foram variadas, mas os sete não puderam esconder o carinho e o gosto por fazer revistas. Entre as possíveis soluções para evitar a extinção do papel, destacaram-se entre as respostas o reforço das marcas (títulos) como novo modelo de negócio (a revista deixando de ser "apenas" uma revista, para se tornar um produto - ou vários), e a transição para edições mais especiais e limitadas (maiores, com mais curadoria e tempo de preparo; para colecionadores). Na minha cabeça de estudante - ainda cheia de ideais e paixões -, aquelas ideias me pareceram maravilhosas e se tornaram fonte de esperança para uma amante do papel.

Mas então a fatídica segunda-feira, 06 de agosto, veio. Reunião geral. Tristeza. Negação. Choro. Despedidas... 10 (dez) títulos encerrados. Caos. Demissões. Preocupação. E o impresso? Seria esse o começo (ou o reflexo de um movimento que já vem se desenhando há algum tempo) do fim? Não é de hoje que as bancas começaram a esvaziar...

Voltando um pouco (bem pouco) no tempo, no ano de 2015, quando consegui meu estágio na redação da (agora extinta) revista Casa Claudia, presenciei uma série de demissões que culminaram na venda de alguns títulos e no encerramento de outros. Desde aquele dia meus temores quanto ao destino do impresso começaram a se fortalecer. Mas a questão que mais me persegue é: o que está matando o papel? 

Será a Internet? As crises financeiras e políticas que parecem não ter fim? Uma reorganização social promovida por esses dois fatores? A citação abaixo aparece em minha monografia e se encaixa muito bem nesse contexto:
O jornalismo é parte da sociedade. Ele é (re)construído a partir da participação contínua de diferentes atores sociais (indivíduos, instituições, conceitos e abstrações etc.) que interagem conforme um conjunto de normas e convenções, responsáveis pela coordenação das atividades vinculadas a essa prática (PEREIRA, 2010, apud PEREIRA e ADGHIRNI, 2011).

É fato que o desenvolvimento dos computadores e o surgimento da Internet  reconfiguraram o trabalho dentro das redações e também modificaram a forma de consumo e busca por informações. Se por um lado essas tecnologias democratizaram - em parte - o acesso à informação, por outro trouxeram consigo uma sentença de morte - lenta e dolorosa - ao jornalismo tradicional, em especial ao impresso. E, é claro, não podemos deixar de lado as seguidas crises econômicas e politicas no mundo todo que (acelerou?) tiveram seu papel nesse processo. Não é apenas uma revista (ou dez) que deixa de circular, são profissionais que são jogados em um mercado cada vez mais saturado, com postos de trabalho quase inexistentes. Redações mais do que enxutas, respirando com a ajuda de aparelhos... Sem entrar no mérito (ou demérito) das Fake News que são disseminadas feito vírus para os quais ainda não há vacina. Catástrofe total. 

Uma amiga querida que está na faculdade (de jornalismo) escreveu um texto maravilhoso falando sobre a geração de jornalistas que não vai escrever em revistas. De fato, estamos criando futuros jornalistas que nunca vão ter o prazer de editar uma matéria com as fotos em miniatura; sentar do lado dos designers para ver o melhor layout; pedir a contagem de toques (na Internet não existe essa coisa tão banal chamada limite de espaço, não é mesmo?); se doer todo quando o texto é cortado para caber e tantas outras situações que só uma redação pode proporcionar (e tantas outras que eu mesma não vivi por já fazer parte de uma geração que nasceu mexendo no computador). Mas - além dos futuros profissionais que não vão conhecer o sofrimento de esperar pelo reparte e folhear as páginas com pressa para chegar na reportagem que estampa seu nome - como ficará a geração de leitores que não vai ler revistas, muitas das quais tiveram papel fundamental na escolha e formação profissional de uma geração inteira de profissionais? Saudosismo em excesso, talvez? Talvez. Mas ninguém vai conseguir me convencer que - debates ecológicos à parte - o papel é a principal e, EM GERAL, mais confiável e rica fonte de informações. 

Se a Internet não existisse, é claro, eu não poderia publicar este texto (desabafo). Minhas palavras podem soar hipócritas, mas a preocupação é verdadeira: se o impresso acabar (livros, revistas, jornais e tantas outras publicações), qual será o destino dos profissionais, sejam eles experientes, recém-formados ou os que ainda estão por vir? Será que vai ter espaço para todo mundo na grande teia? Fica a dúvida...

Para mim, folhear as páginas, sentir o cheiro do papel e o peso de um volume impresso nas mãos é um prazer insubstituível. 

(mas mandem jobs digitais, preciso pagar os boletos... e os livros)


Diário de Leitura

Diário de Leitura: Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski #17

maio 16, 2018

Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski
Editora: Martin Claret
Ano: 2013 (publicação original: 1866)
Páginas: 591
Nota: 5/5
Sinopse: Publicado em 1866, Crime e Castigo é a obra mais célebre de Fiódor Dostoiévski. Neste livro, Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado, perambula pelas ruas de São Petesburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria: grandes homens, como César e Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História. Este ato desencadeia uma narrativa labiríntica que arrasta o leitor por becos, tabernas e pequenos cômodos, povoados de personagens que lutam para preservar sua dignidade contra as várias formas da tirania.

Diário de Leitura

Diário de Leitura: Garota Exemplar - Gillian Flynn #16

maio 13, 2018

Depois de ler Garota Exemplar você:

a) Fica de boa, afinal é apenas uma história MUITO BOA de ficção
b) Faz uma reflexão sobre o tema central do livro (como a gente não conhece bem as pessoas, por mais que pense que conheça), mas nada profundo
c) Se questiona sobre a sua vida, seus gostos, sua interação com outras pessoas e seu relacionamento e fica um pouco paranoica

Resposta: C, certo?

Garota Exemplar - Gillian Flynn
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 448
Nota: 5/5 + Favorito

Sinopse: Uma das mais aclamadas escritoras de suspense da atualidade, Gillian Flynn apresenta um relato perturbador sobre um casamento em crise. Com 4 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo – o maior sucesso editorial do ano, atrás apenas da Trilogia Cinquenta tons de cinza –, "Garota Exemplar" alia humor perspicaz a uma narrativa eletrizante. O resultado é uma atmosfera de dúvidas que faz o leitor mudar de opinião a cada capítulo. Na manhã de seu quinto aniversário de casamento, Amy, a linda e inteligente esposa de Nick Dunne, desaparece de sua casa às margens do Rio Mississippi. Aparentemente trata-se de um crime violento, e passagens do diário de Amy revelam uma garota perfeccionista que seria capaz de levar qualquer um ao limite. Pressionado pela polícia e pela opinião pública – e também pelos ferozmente amorosos pais de Amy –, Nick desfia uma série interminável de mentiras, meias verdades e comportamentos inapropriados. Sim, ele parece estranhamente evasivo, e sem dúvida amargo, mas seria um assassino? Com sua irmã gêmea Margo a seu lado, Nick afirma inocência. O problema é: se não foi Nick, onde está Amy? E por que todas as pistas apontam para ele?


Crônicas de Amor e Ódio

Diário de Leitura: The Kiss of Deception - Mary E. Pearson #15

abril 11, 2018

Não sei nem por onde começar a falar sobre esse livro maravilhoso e sensível que me fez ficar acordada até tarde lendo muito. Tô apaixonada!

The Kiss of Deception - Mary E. Pearson
Editora: DarkSide
Crônicas de Amor e Ódio #1
Páginas: 406
Nota: 5/5
Sinopse: Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro? 
Quando se vê refugiada em um pequeno vilarejo distante o lugar perfeito para recomeçar ela procura ser uma pessoa comum, se estabelecendo como garçonete, e escondendo sua vida de realeza. O que Lia não sabe, ao conhecer dois misteriosos rapazes recém-chegados ao vilarejo, é que um deles é o príncipe que fora abandonado e está desesperadamente à sua procura, e o outro, um assassino frio e sedutor enviado para dar um fim à sua breve vida. Lia se encontrará perante traições e segredos que vão desvendar um novo mundo ao seu redor.

O romance de Mary E. Pearson evoca culturas do nosso mundo e as transpõe para a história de forma magnífica. Através de uma escrita apaixonante e uma convincente narrativa, o primeiro volume das Crônicas de Amor e Ódio é capaz de mudar a nossa concepção entre o bem e o mal e nos fazer repensar todos os estereótipos aos quais estamos condicionados. É um livro sobre a importância da autodescoberta, do amor, e como ele pode nos enganar. Às vezes, nossas mais belas lembranças são histórias distorcidas pelo tempo.

Diário de Leitura

Diário de Leitura: Noite Eterna - Guillermo del Toro & Chuck Hogan #14

abril 11, 2018

Uma trilogia que começou muito bem, mas do segundo para o último virou aquilo que podemos chamar de "picolé de chuchu". 
Noite Eterna - Guillermo del Toro e Chuck Hogan
Editora: Rocco
Trilogia da Escuridão #3
Páginas: 416
Nota: 3/5
Sinopse: Dois anos após o início da epidemia de vampiros que se alastrou pelo globo, os dias têm apenas duas horas de sol e a humanidade encontra-se à beira da aniquilação. A única esperança de resistência contra o exército do Mestre, o vampiro ancestral, é o grupo liderado por Eph Goodweather. Mas as evidências de que há um traidor entre eles pode pôr em risco o destino da raça humana. Traduzida em mais de 20 países, a série renova as tradicionais histórias de vampiros e surpreende pela originalidade.

Diário de Leitura

Diário de Leitura: O Penúltimo Perigo - Lemony Snicket #13

abril 02, 2018

O Penúltimo Perigo - Lemony Snicket
Desventuras em Série #12
Editora: Cia. das Letras
Páginas: 320
Nota: 5/5

Sinopse: Quem, em prantos, seguiu as Desventuras em Série publicadas pela Companhia das Letras, vai chorar ainda mais com o 12o. e último livro antes do último livro da terrível coleção de Lemony Snicket. Nele, os órfãos Baudelaire enfrentam o odioso Conde Olaf no Hotel Desenlace, onde os horrores se sucedem: uma vilã vestida de alface, gente furtiva perambulando no porão, um relógio sinistro, um açucareiro perdido, uma lavanderia com Cerramento Supravernacular Complexo, um tribunal vendado, pessoas nobres e pérfidas no mesmo barco e um final terrivelmente surpreendente. Porém, o que contém o açucareiro, e o que é C.S.C.? Só saberemos, talvez, num igualmente misterioso 13o. volume.

Como sempre, nenhuma das nossas perguntas foi respondia e meu coração quase que não aguenta a leitura desse livro. Que aflição!

Odeio injustiças, e Desventuras em Série apresenta uma série de injustiças cometidas contas os nobres irmãos Baudelaire por pessoas extremamente pérfidas como o Conde Olaf. A irresponsabilidade dos adultos ao redor dos órfãos me deixa nervosa desde 2005 quando embarquei nessa desaventurada aventura. 

Neste volume, os irmãos conhecem a misteriosa e grávida figura de Kit Snicket. Ela leva os Baudelaire até o Hotel Desenlace, onde eles deveriam estar até quinta-feira para finalmente - quem sabe - descobrir mais sobre C.S.C e salvar  alguns voluntários. 

Porém, é óbvio, tudo se volta contra o trio que, disfarçados de concièrges, são obrigados a atender os hospedes e ao mesmo tempo descobrir coisas úteis - como os planos pérfidos do conde Olaf. Em meio a um mix de pessoas boas e más (alguns difíceis de identificar como um ou outro), os irmãos acabam no meio de um "tribunal cego", no qual os participantes estão literalmente vendados. 

Como sempre, Olaf dá um jeito de triunfar e o Hotel pega fogo. No fim das contas, a única saída dos Baudelaire é tentar salvar a si mesmos, já que ninguém os escuta. À bordo de um barco localizado na cobertura, os irmãos pensam estar à salvo, apesar de se sentirem responsáveis pela tragédia. Eles só não contavam que para sair do incêndio, teriam de dividir o barco com seu maior inimigo.

Meu coração sofre cada vez que os Baudelaire quase escapam por um triz, só para serem capturados. Parece que esses livros foram escritos para fazer a gente passar raiva. Mas né, seguimos firmes.


Agatha Christie

Diário de Leitura: Morte na Mesopotâmia - Agatha Christie #12

abril 02, 2018

Olá pessoas, tudo bem? Tou correndo atrás do tempo perdido para atualizar o blog com minhas últimas leituras (no caso todas as lituras de maço e algumas de fevereiro). Vamos lá, falar da rainha!

Morte na Mesopotâmia - Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 240
Nota: 5/5
Sinopse:  A enfermeira Amy Leatheran é contratada para se juntar a uma expedição arqueológica no Iraque. Mas sua função ali tem bem pouco a ver com ruínas e artefatos: ela deve vigiar de perto a bela Louise Leidner, que está cada vez mais apavorada com a ideia de que talvez seu ex-marido não esteja tão morto quanto acreditava.

Louise pode estar imaginando coisas. Mas o fato é que, uma semana após a chegada da enfermeira, a mulher é encontrada morta no próprio quarto, e agora cabe a Hercule Poirot identificar o assassino. Quem terá sido? Tudo indica que o culpado está entre os membros da equipe de cientistas...

Minha nossa, o que foi este livro? 

Em geral, não desconfio do final da história nos livro da Agatha e com este não diferente. Desde o começo, quando Amy explica como ela foi parar na expedição, eu imaginei um desfecho 100% diferente do que realmente aconteceu.

Quando Amy chegou à base da expedição arqueológica liderada pelo marido de Louise, ela percebeu que realmente havia uma certa tensão no ar. Todos pareciam estar no limite, especialmente a "enferma" Louise. É claro que a maioria das pessoas achava que ela estava louca, mas depois que a história vem a tona, percebe-se que ela tinha motivos.

O caso é o seguinte: Louise fora casada anos atrás com um cara e depois se separou. Só que, segundo ela, ele enviava bilhetes com ameaças de morte cada vez que ela chegava perto de se casar novamente. Só que, passado um tempo, o ex-marido morreu e ela sentiu que poderia finalmente se casar de novo quando conheceu o dr. Leidner, chefe da expedição. 

O problema é que ela voltou a receber esses bilhetes e entrou em pânico - além de jurar que vira alguém em sua janela não muito antes da chegada da enfermeira. Dias depois, a mulher é encontrada morta em seu próprio quarto e ninguém vê ou ouve nada. 

Nosso querido Poirot entra em cena e o mistério parece um tanto peculiar. Em meio a alguns desafetos e a total falta de pistas, o detetive junta os pedaços do quebra-cabeça até finalmente descobrir a solução. E que solução! Fiquei até abobalhada quando finalmente revelou-se quem era o assassino. Nem nos meus mais loucos sonhos eu imaginaria algo do tipo. Ponto para a rainha!

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