Gabi Reads #4: Nevermore (Kelly Creagh)

fevereiro 10, 2017


Autor: Kelly Creagh
Editora: Pandorga
Páginas: 448

Sinopse:  A líder de torcida Isobel Lanley fica horrorizada quando descobre que seu parceiro para o projeto de inglês é Varen Nethers e que o projeto deve ser entregue — tão injusto — no dia do jogo contra o rival do colégio. Frio e indiferente, cínico e com a língua afiada, Varen deixa claro que ele também preferia não ter que estudar com ela. Porém, quando Isobel descobre um texto estranho escrito no diário de Varen, acaba vendo com outros olhos esse enigmático garoto de olhar expressivo. Logo Isobel começa a inventar desculpas para poder encontrar Varen. Afastando-se cada vez mais de seus amigos e do namorado possessivo, Isobel entra mais fundo no mundo de sonhos que Varen criou nas páginas de seu diário, um mundo onde as aterradoras histórias de Edgar Allan Poe ganham vida. Enquanto seu mundo começa a desmoronar ao seu redor, Isobel descobre que os sonhos, assim como as palavras, têm mais poder do que ela imaginava, e que as realidades mais assustadoras são aquelas criadas pela mente. Agora ela precisa encontrar uma maneira de chegar a Varen antes que ele seja consumido pelas sombras de seus próprios pesadelos. A vida dele depende disso.

Bom, para começar essa resenha, preciso dizer que comprei o livro pela capa e já li faz uns 3 anos, mas vou aproveitar parte dos comentários que fiz na época.

Então, eu amo Edgar Allan Poe e amo ler tudo que tenha relação com ele. Quando vi a capa com o corvo desenhado e escrito Nevermore não tive dúvidas: comprei. Ele ficou um tempo parado na minha estante até que um belo dia resolvi ler a sinopse. Sim! Eu não fazia ideia do que se tratava. Confesso que até o momento que o peguei para ler a imagem que eu tinha na cabeça era de que esse livro era sobre vampiros.

Vi vários comentários negativos sobre o livro no Skoob. Coisas do tipo “até tal capitulo é bom, depois ficou confuso e mal explicado”, “a narrativa é cansativa e enrolada” e muitos outros mimimis que me deixaram irritada! Mas, é claro, cada pessoa entende de um jeito e por isso as opiniões divergem. Porém, contudo, entretanto, todavia eu preciso sair em defesa de Nevermore. À primeira vista, parece mais um daqueles livros YA onde a mocinha é tonta e o mocinho é rico e lidera a vida da mocinha. Eles se odeiam. Depois se amam e tal. Não é bem assim...

Ok. Eles se odeiam e depois se amam. Mas, o mocinho, no caso o Varen, não é aquele típico galã, lindo e maravilhoso. Uma que o cara é gótico, super pálido (olha quem fala) e usa lápis nos olhos. Além disso, ele trabalha numa sorveteria coisa que é atípica nesse tipo de livro. A mocinha não é tonta. Tá vai, ela é um pouco tonta, mas vou dar um desconto pela idade. Quem não era meio bobinho com 16?. Outra coisa que gostei no livro foi que ela não passou a maior parte dele reclamando do corpo, ela nem toca nesse assunto. Mais um ponto para ele. O drama começa porque ela, que é cheeleader, namora um jogador de futebol americano do colégio, o famoso quarterback, que obviamente (e seguindo um belo estereótipo) é um otário e fica putinho porque a Isobel precisa fazer um trabalho da escola com o Varen. Aí rolam uns desentendimentos, umas ameaças e um pouco de bullying...

O ponto central da história, no entanto, envolve uma coisa chamada Sonho Lúcido que, de acordo com meus parcos conhecimentos sobre o tema, pode ser alcançado com um pouco de treino. É um tipo de experiência “extracorpórea”, digamos assim, em que você consegue controlar suas ações dentro dos sonhos. Bom, quando Isobel entende o que está acontecendo, ela já está atolada até o pescoço na história e não tem como – e ela nem quer - voltar atrás. A essa altura do campeonato ela está apaixonada pelo Varen e vai fazer de tudo para salvá-lo do mundo que ele mesmo criou.

''--Se você contar a alguém, eu irei até você à noite e destruirei sua alma perene.''

Não podendo confiar em ninguém, Isobel se vê num mundo onde nada é o que parece, mas tudo pode ser. É como se o mundo dos sonhos e o real pudessem ser um e outro ao mesmo tempo. Para resumir, existe uma porta entre os mundos que precisa ser fechada. Mas quando Isobel, com a ajuda de um homem conhecido como Admirador de Poe, consegue voltar para a realidade para destruir a chave que liga os dois mundos, ela descobre que foi enganada.

Em relação às características dos personagens, os principais têm personalidades e estilos completamente diferentes. Além da bizarra combinação lider-de-torcida-gótico-filho-da-escuridão, tem ainda Gwen, uma hippie completamente louca, que parece ter fugido de um hospício! Em várias cenas eu a imaginei como aqueles personagens de anime que ficam em miniatura rodando ao redor do personagem principal e falando sem parar risos.

Eu acredito que muitas pessoas não conseguiram entender quando o livro passou a ser narrado no mundo dos sonhos. É lógico que as coisas aconteciam meio sem explicação e meio jogadas no nada. Quando você sonha, tudo faz sentido? Você surge de repente num lugar. Você sai de uma cozinha e chega em sua sala de aula. Você vê coisas estranhas, movimentos estranhos e por aí vai. Num mundo criado a partir de sonhos que continham imagens de histórias e poemas de Poe, nada faria sentido mesmo. E ainda assim eu achei que tudo escrito ali se encaixava muito bem.

Só tenho uma reclamação e é sobre a revisão. Em muitas frases faltavam conectivos, preposições e outras coisinhas. Faltou um pouco de cuidado. Em alguns momentos a tradução “comeu” pedaços do original (eu fui procurar umas frases no original e não tinham nada a ver com a tradução), mas ainda assim o sentido se manteve.
Livro recomendadíssimo!



Outra recomendação, é que se você nunca leu nada do Poe vá ler agora!

Beijinhos da Gabi!


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