Uma série de pensamentos aleatórios e confusos

fevereiro 06, 2017

Via: VisualHunt
Outro dia (na verdade já faz um tempo, mas eu começo a maior parte das minhas histórias com “outro dia”) ... Então, outro dia escutei uma criança falando socorro mamãe porque caiu shampoo nos olhos dela e ela ficou desesperada. Isso me fez pensar que a vida adulta é um grande lavar de cabelos em que o shampoo sempre, sempre, sempre vai encontrar um jeito de cair no seu olho. A grande questão aqui é que nem sempre dá pra pedir socorro mamãe, mas principalmente que esse shampoo nunca vai ser a prova de lagrimas. Sim, eu sei, essa é uma analogia meio louca, mas é verdade.

Lembro que quando eu era bem pequena, tipo uns 4 ou cinco anos, costumávamos ir para uma praia em Santa Catarina. É claro que com essa idade meu pai ou minha mãe sempre entravam na água comigo então era quase impossível (porque eles sempre foram mega super-protetores) que eu caísse ou me afogasse.

*corta pra uma Gabriela de 08 anos levando um capote de uma onda que batia no joelho e se desesperando porque ficou encoberta por água do mar*

Quando eles começaram a me deixar ~sozinha~ na água sempre rolava aquele momento em que eu era derrubada por uma ondinha (só uma marolinha) de nada e ficava em choque achando eu estava me afogando. Eu tenho certos traumas com água. Mas enfim, aí eu saia correndo da água com o olho meio fechado e ardido por causa do sal, mas meio que indo na direção certa, gritando toalha, toalha. E lá estava a toalha, sempre a postos no momento exato em que eu esticava o meu braço...

Isso, aliás, me lembra uma situação muito comum na vida das pessoas. É lógico que pelo menos uma vez em toda a sua existência terrena você já esqueceu de levar a toalha pro banheiro. Eu faço isso direto, mas, na maioria das vezes (pequenos milagres cotidianos), lembro de voltar e pegar uma antes de entrar no chuveiro. Então, quando eu comecei a faculdade e vim morar semi-sozinha em São Paulo não tinha ninguém pra me levar a toalha caso eu esquecesse, ela não surgia magicamente ali no momento exato em que eu esticava o braço. E a vida adulta é basicamente isso. Você pode até contar com a ajuda dos seus pais ou de outras pessoas da família e até com alguns amigos, e tal, mas na maior parte das vezes - na MAIOR parte mesmo – você vai ter que se virar sozinho pra sair do banheiro - ou do mar - e pegar sua própria toalha.

O que eu quero dizer é que mesmo que o shampoo caia no seu olho e tudo fique desesperador por alguns momentos, você vai acabar encontrando um jeito de se virar e fazer alguma coisa acontecer. Eu passei anos da minha vida sendo tão negativa e pessimista que realmente nada dava certo nunca. Até que um dia eu acordei – depois de semanas, meses e anos de preparação mental – e resolvi que a partir daquele dia tentaria ver as coisas pelo lado positivo.

Não digo que eu me tornei um ser iluminado e paciente que sempre tem um sorriso no rosto e fala mansinho. Nope. O que aconteceu foi que eu passei a enxergar novas possibilidades nas desgraças adversidades. Um exemplo: sempre que eu escrevia alguma coisa eu achava que estava ruim. Nossa, que lixo. Aí, quando resolvi que ia deixar para trás a nuvem negra que cercava minha vida, passei a pensar “talvez esse não seja o melhor texto, mas me esforcei e fiz o que estava ao meu alcance nesse momento”. Basicamente comecei a mentalizar isso em todos os momentos do meu dia. Até que chegou uma hora que aquela nuvem carregada foi se dissipando e foi ficando cada vez mais fácil ver a vida com outros olhos. Nem tudo era a merda que eu sempre achei. Foi uma mudança ótima.

É claro que isso não aconteceu de uma hora para outra e que eu ainda passo pelos dias de achar tudo um grande cocô (e que o universo inteiro tem uma trama secreta contra mim, óbvio). É muito difícil enxergar beleza ou positividade na vida quando você passou a maior parte dela se intoxicando com pensamentos negativos e auto-depreciativos. É lógico, também, que cada pessoa é diferente da outra, cada um está em um momento da vida e tem sua cota de probleminhas mentais, maior ou menor que a do coleguinha, e tudo isso tem que ser levado em conta. Não é fácil levantar um belo dia, abrir a janela da cachola e deixar o sol entrar. Eu sei por experiência própria. Mas eu, no meu momento, consegui superar algumas coisas e decidi levar a vida de outra maneira. É mega difícil, mas possível.

Posso dar até umas pequenas dicas para quem já está na fase do tentar:

Primeiramente, sabe aquela limpeza que as pessoas falam que fazem no Facebook? Então, você precisa fazer uma dessas – só que de verdade – na sua vida real. Parece um discurso repetitivo, mas é sério e funciona: se afaste de pessoas toxicas.  Mas Gabi, o que são pessoas toxicas? Como identifica-las? Coisa básica: sabe aquela miga que sempre dá um jeitinho de te deixar pra baixo? Às vezes é sutil, às vezes é escancarado, mas você sempre sai com aquela sensação de tristeza/desânimo depois de conversar ou ficar perto da pessoa em questão. Outro tipo tóxico é aquele sujeito que não pode te ouvir dizendo “tô triste” que ele vem com “tá, mas eu tô mais triste porque...” CARA, isso não é uma competição, todo mundo pode ficar triste e a sua tristeza ou dificuldade não tem mais ou menos importância do que a de ninguém. Todo mundo tá sofrendo em algum nível e tudo importa sim! Se aquela miga ou migo vive tentando “competir” com os seus problemas CAIA FORA, sério. Essa é aquela galera que te faz sentir mal por estar infeliz e isso tá muito errado. Existem pessoas dispostas a ouvir de verdade e elas não vão te julgar se o seu maior problema no dia for ter perdido o ônibus. Juro.

Um segundo exercício para praticar mentalmente: tire o “não” da frente das sua frase. Exemplos: Não consigo. Não posso. Não sei. Não sou bom o suficiente. Não vai dar certo. Não vou chegar a tempo. Não vou ter coragem de apresentar esse trabalho. Dá até pra sentir uma corrente de ar pesado passando por esse parágrafo. Eu sei que é foda. Juro que sei, mas aos pouquinhos é possível reprogramar o cérebro para falar menos frases negativas e mais frases afirmativas como: Vou conseguir. Vou chegar a tempo. Vou apresentar esse trabalho da melhor maneira possível. Posso fazer isso desse ou daquele jeito. Eu sei. Eu posso. Uma vez eu li que quanto mais você conta as mesmas mentiras – CALMA, NÃO ME BATE EU JURO QUE TENHO UM PONTO – mais você consegue convencer as pessoas e você mesmo passa a acreditar que aquilo é real. Nesse caso você estaria se treinando a pensar que pode, consegue e vai dar pra fazer alguma coisa e, assim, eventualmente, você vai acreditar de verdade nisso. Comigo foi assim e as coisas começaram a dar certo mesmo.

Basicamente esses foram os dois primeiros passos que eu dei rumo a uma vida menos miserável negativa. Como eu disse, não é fácil e eu não passo 24 horas achando tudo lindo. Pelo contrário, tem dias que eu quero desistir de 99% das minhas obrigações por não me achar apta a realizá-las - e eu geralmente acho que o dia tá uma bosta. Mas quando esses pensamentos me vêm à cabeça eu tento repensar o pensamento e reformular minhas frases. É claro que tem dia que é foda e não dá mesmo, mas na maioria das vezes é possível tornar um dia ruim em um dia regular. Depois em um dia bom. E por aí vai. É um exercício diário e cansativo, mas uma hora vira hábito. Outra dica é se cercar de pessoas que também fazem a linha positiva. Ajuda bastante.

Quero reforçar aqui que eu não sou a senhora positividade good vibes (mesmo porque eu odeio com todas as minhas forças essas três palavras, puta que pariu que expressões bosta). Mas eu tento me desintoxicar de pensamentos ruins e, assim, viver um dia de cada vez de forma mais leve.

Desculpem pela verborreia, mas quem sabe essas reflexões nonsense sirvam para alguém. Fica o recado.

KEEP THAT PMA




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