BEDA #12 - Vida de freela, vida de desemprego

agosto 12, 2017


Estamos no dia 12 de agosto. Dia 14, meu freela, que durou 5 meses, acaba com uma festa de premiação (trabalhei na organização de um Prêmio, caso estejam se perguntando). Este ano minha vida de jornalista freelance começou logo em fevereiro, quando cobri as férias de uma repórter. Minha vida de recém-formada se iniciou de uma maneira bem diferente da que eu imaginava. Eu, que gosto de segurança, certezas, emprego fixo, CLT, plano de carreira, férias, horário de entrar e de sair, tive que me acostumar a trabalhar em casa, mais especificamente no meu quarto. Precisei aprender na marra a me organizar para não deixar a ilusão de "ter tempo livre" fazer com que as coisas  se acumulassem. Tive que colocar na minha cabeça que mesmo que eu estivesse em casa e fosse esquisito, eu estava trabalhando (a depressão bateu tantas vezes nesses meses que passaram, que me peguei várias vezes em meio a crises de ansiedade por "não ter trabalho", enquanto decupava uma entrevista, mandava e-mails e digitava minhas matérias). Fui ensinando a mim mesma que não tinha a obrigação de checar meu e-mail 24 horas por dia porque "alguém poderia estar precisando que eu fizesse alguma coisa". Essa necessidade que eu tenho de ser útil ainda vai ser o meu fim. Entrei numa rotina de levantar todos os dias às 8h (sem trânsito, meu bem, e podendo viver minha "vida pessoal" de tarde, dormir pelo menos 8 horas por noite é um luxo), ligar o notebook antes mesmo de tirar as remelas dos olhos sorry not sorry e tomar meu primeiro café preto da manhã Meu #lookdodia: pijama e chinelo. Comer em frente ao computador voltou a ser um hábito perdido no fim da adolescência. Mais tarde, quando comecei a pegar o jeito da coisa, percebi que era melhor me vestir como qualquer pessoa em um dia normal no escritório porque 1) ficar de pijamas o dia inteiro me lembra um período ruim da minha vida, e 2) roupas de trabalho me faziam sentir mais preparada para trabalhar sério. Não foi uma experiência ruim, pelo contrário. Ser freela é muito bom. Ter controle sobre seu tempo e não viver aquele tal 9 to 5 (ou, no caso de nós do BR 9 to quando Deus quiser que você chegue em casa) é maravilhoso. Comecei a ir na academia todos os dias porque posso ir na parte da tarde (levantar de manhã para malhar? Deus me dibre). Tenho mais tempo para mim e para ler (mas jogo The Sims porque a vida é foda). É muito bom e seria ótimo poder viver o resto dos meus dias com as tardes livres para fazer o que eu quiser, MAS como viver de freelas se você tem 22 anos, acabou de sair da faculdade e não é uma dessas pessoas prodígio que se envolve em mil projetos e é amado pela galera toda? Onde a gente consegue trabalho? Se não fossem os meus poucos, porém ótimos, contatos feitos durante os quase 2 anos de estágio numa revista eu acho que estaria depressiva e me sentindo inútil até agora - sem emprego, sem motivação, sem vontade de viver. Mas dia 14 está chegando. A voz que eu consegui guardar no fundo da mente - e que me diz que eu não estou evoluindo profissionalmente - voltou com força total. Estou atirando para todos os lados, mas, repetindo o que todas as pessoas do universo, a mídia, Deus e minha família estão dizendo: o mercado está difícil para todo mundo. Para quem "está começando" e não tem 150 anos de experiência, 10 pós-graduações e 20 mestrados, então? Tá foda. Eu odeio ficar parada. Odeio sentir que não estou avançando, mas principalmente odeio não ter um emprego seja ele qual for. Eu tenho NECESSIDADE de ter horário para entrar e sair, uma empresa até onde ir, hora de almoço, human contact com colegas de trabalho e salário caindo na conta todo 5º dia útil. O resto é fácil de fazer. Mas eu preciso de um emprego com urgência.

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6 comentários

  1. apesar de trabalhar não ser a melhor coisa do mundo (queríamos ser ricos sim, e ficar de molho em uma banheira de espumas tomado um rosé) mas a realidade esta ai e ficar sem trabalho é realmente muito ruim, nosso corpo acostuma com rotinas né, mas tenho certeza que logo você vai conseguir um emprego e ser a assalariada mais feliz do mundo

    Blog Entre Ver e Viver

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    1. Sonho da humanidade ficar de molho numa banheira de espumas, sim! Ainda não arrumei nada fixo, mas pelo menos tenho meus frilas <3 Bjo!

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  2. essa fase é tão difícil, esses questionamentos são tão difíceis. "trabalhar de casa", "frilar", fazer esses trabalhos pontuais exigem muita organização e estabilidade pra gente não pirar, já estive nisso - e já pirei. ao mesmo tempo, nosso mercado anda tão saturado e sucateado que, nos empregos fixos, tem tanta coisa ruim, tanta barbaridade, tanto abuso, que nem sei o que dizer. está difícil demais e só agora notei que vim aqui fazer esse post e não estou te ajudando em NADA né? hahaha desculpe! mas que fique pelo menos o desabafo e a certeza de que você não tá sozinha nessa, e a gente pode pelo menos tentar ir pensando junto no que daria pra fazer pra mudar!

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    1. Está muito difícil, realmente. Acho que em todas as áreas, viu?

      Mas quem sabe uma hora melhora!

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  3. ai, menina! te entendo! fui freela por uns 3 meses e depois fui contratada pela agência e olha, digo que tudo tem 2 lados, hehe. hoje em dia eu conseguiria ter uma rotina boa em casa. aproveita enquanto tem essas regalias e não desiste de tentar achar algo melhor para você. <3

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    1. Eu gosto muuuuuito dessa flexibilidade de horário, mas é tão ruim não poder se programar com algumas coisas porque não se sabe o dia que vai ter pagamento, rs.

      Bjs!

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Obrigada!