BEDA #14 - Lendo Os Miseráveis: semana 2

agosto 14, 2017

Olá pessoas! Tudo bom com vocês? Seguimos firmes e fortes no BEDA e também na leitura de Os Miseráveis. Cada dia que passa fica mais fácil de ler e não dá vontade de largar. Essa semana tive uns contratempos e pensei que 1) não conseguiria ler até domingo e 2) não teria como escrever o post de hoje. Mas aqui estamos!



Nesta segunda semana, li até o livro V da primeira parte denominada FANTINE. Até aqui, ficamos conhecendo o Monsenhor Bienvenu e um Jean Valjean mau, machucado pelos anos na prisão. Como eu contei no primeiro post sobre a leitura, o principal personagem da história conheceu, pela primeira vez em 19 anos, alguém que lhe estendesse a mão. Eu tinha parado de ler em um trecho anterior ao roubo da prataria do bispo (acredito que não existam spoilers de Les Mis, né? It's been a while now). 

"A alma dos justos adormecidos contempla um céu misterioso"
- Victor Hugo 

Enfim, Jean Valjean acaba levando embora os talheres e é capturado por dois oficiais que o levam até a casa de Monsenhor Bienvenu. Lá, o bispo de Digne surpreende à todos e dá ao ex-prisioneiro seus castiçais também (na verdade, levando em conta seu histórico de bem feitoria, não chega a realmente ser surpreendente o que ele faz). Feito isso, o único pedido/ordem do religioso é que Jean Valjean escolha fazer o bem a partir daquele momento.  

É nessa parte do livro que finalmente conhecemos a história de Fantine. Descrita como bela, inocente e virginal (apesar de não o ser), Fantine é apaixonada por um homem chamado Félix Tholomyès, que também é pai biológico de sua filha Cosette. Para ele, é tudo um jogo, um passatempo; ela, porém, o ama. 

"O mais ingênuo é às vezes o mais sábio. Isso acontece"
-Victor Hugo

Em certo dia, ela e suas três "amigas", unidas somente por essa amizade herdada pelo relacionamento amoroso, foram abandonadas em um passeio por seus respectivos amantes. Fantine, porém, foi a que mais sofreu apaixonada como estava. A partir daí, ela decide voltar para sua cidade natal, Montreuil-sur-Mer, para recomeçar a vida. É nesse momento que ela decide deixar a filha Cosette com um casal de estalajadeiros, digamos, muito oportunistas. Eles aceitam o negócio desde que ela pague um montante todos os meses. Fantine oferece um adiantamento e parte. Chegando à cidade, emprega-se numa fábrica cujo dono se chama Madeleine. Este senhor Madeleine é um homem bom, que fez fortuna de forma honesta e está sempre disposto a ajudar quem precisa (lembraram de alguém?). Desde sua chegada, a cidade prosperou de maneira como nunca vista antes e, por tal motivo, ele é convidado à ser prefeito da cidade: recusa algumas vezes, mas por fim, depois do clamor do povo, cede.  

"Possuía uma pequena biblioteca bem montada, e amava os livros,q ue são amigos imparciais e seguros"
-Victor Hugo

A vida de Fantine vai bem, mas, como é inerente ao ser humano, as pessoas ficam curiosas sobre sua chegada e seu passado. Uma funcionária da fábrica acaba investigando a moça e descobre que ela tem uma filha e que a deixou em outro lugar. Em nome "da moral e dos bons costumes", manda embora Fantine, alegando, ainda, que quem ordenara havia sido o sr. Madeleine. É ai que tudo começa a ir mal para ela. Passamos a ver o desespero dessa mulher para poder enviar o dinheiro prometido aos estalajadeiros - que aumentam o valor em cada carta que enviam. Fantine começa a costurar, mas suas dividas só se acumulam. Em determinado dia, ela resolve vender os cabelos loiros e compridos. Mais tarde, ela se vê tomando a decisão de vender os dentes (!!!), seus belos e brancos dentes, de modo a conseguir salvar a vida de sua filhinha (que, segundo o casal de aproveitadores, estaria muito doente). Vemos Fantine, que era bela, inocente e virginal, se tornar uma pessoa amargurada, podemos perceber o ódio crescendo dentro dela, assim como a loucura de quem chegou ao fundo do poço. Fantine, finalmente, se rende ao que parece ser sua última forma de conseguir dinheiro: a moça, antes bela e doce, se torna prostituta. 

Fantine acredita que o culpado por seu destino é o sr. Madeleine. No entanto, depois de um incidente em que acaba brigando com um homem na rua e é levada por Javert à delegacia, ela é surpreendida pelo homem, que intervém e manda que ela seja libertada. Javert, que desde o começo nutre uma desconfiança em relação ao sr. Madeleine, acata a ordem, mas fica contrariado. Fantine, então, fica confusa quanto ao homem que, até então, ela odiava por acreditar ser ele o causador de seu sofrimento. O sr. Madeleine lhe promete que ela nunca mais precisará trabalhar se quiser e que poderá buscar a filha: ele vai providenciar tudo. Fantine, então, desmaia em seus braços.

Bom, gente, esta segunda semana de leitura foi ótima. O livro flui cada vez melhor e a história começou a se adensar. Como eu disse no primeiro post, é muito interessante ver a maneira como Victor Hugo relata os acontecimentos e vai contando diversos fatos e ações dos personagens que aprecem pequenos, mas que depois se explicam nos capítulos futuros. Estou gostando muito da leitura e não vejo a hora de chegar na parte da Revolução Francesa risos.


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1 comentários

  1. Eu estou lendo a versão da Cosac Naify pro Kindle (mas já faz uns dois anos que comecei, haha). Tem horas que eu me empolgo com a leitura, mas tem horas que é difícil avançar. Depois que chegares à exaustiva, ops, minuciosa descrição da Batalha de Waterloo, me conta o que achaste. Essa foi a passagem mais difícil de avançar, pra mim. Ficou muito clara a razão de ela ser tão detalhada, e do ponto de vista histórico, é maravilhosa. Mas ela sai completamente de todos os personagens e fica, fica, fica, fica... Enfim. Passei, mas foi o trecho que mais me atrasou.
    Já avancei bastante depois disso, estou no capítulo 4, em que a Cosette já está adulta e entra o Marius na história (segundo o Kindle, já li 61% do livro). Quero muito ver o filme, mas vou esperar terminar o livro primeiro – mais quantos anos, será? Hahaha. É que eu faço outras leituras paralelas, e agora, grávida, tenho mais um tema de muito interesse para dividir minhas horas de leitura.
    Enfim, desculpa o comentário tão longo. Pode não parecer, mas eu gosto bastante do livro. (:

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